
Eu não nasci pra dizer adeus, sou meio passado, meio presente e meio futuro, já me ensinaram que o presente é a melhor coisa do mundo e tem que aproveitar, mas eu com minhas próprias ideias entendi que o presente se faz com pedacinhos do passado, e com uma deliciosa dose do futuro, que a gente inventa pra poder se torturar mais. Sou assim então, cheia de dúvidas, que pensa bem se vai deixar algo no passado mesmo, mas que sempre volta atrás, ou pelo menos na maioria das vezes, que deita na cama anoitezinha e fica mais de hora pensando na sua vida futura, em cada detalhe programado, que com toda a certeza não vai seguir o prumo traçado. O tipo de pessoa que fala que não deve e se arrepende, e que se pensa demais e se arrepende também, que se tem dois caminhos quer seguir os dois, que tem medo do que pode perder se ir apenas por um. Já sofri muito com meus devaneios, por inventar histórias com diálogos que nunca se seguiram, por fazer os personagens aquilo que não eram, por inventar um personagem sobre pessoas reais, cheias de medo, rancor,propósitos,sorrisos, lágrimas resguardadas,fofocas espalhadas, resumo perfeitas de imperfeições. Tinha hora que queria tomar um rumo e virar pássaro novo, e voar tão alto que as asas começassem a congelar, e depois tinha vontade de voltar pra terra a virar pensamento, tão mutável e influente quanto, saber o jogo que cada um jogava, quem tinha o melhor disfarce, quem guardava melhor suas máscaras, e quem era aquilo que transparecia de fato. Até que um dia cansei de mudar tanto em mente, ser eu era mais que o bastante, no final não tem graça saber de todo mundo, bom mesmo é sair descobrindo, e descobrir que você é bom o suficiente pra acreditar, mesmo que idiota, que é bom o suficiente pra dar a mão a um inimigo, e guardar o segredo dele, amar alguém mesmo depois de cair as máscaras, de ser tão boa e ser trocada na cara dura por peças falsas. Nada melhor que sorrir depois de chorar muito, nada melhor que ser, e abrir com facão a densa floresta que é a vida, cheia de espinhos, mas também de sombra, de cobras, mas também de beija-flores, no final, a gente entende que apesar de reclamar muito de tudo ser tão difícil, que não tem graça encontrar o caminho limpo tendo que só passar. (CheiOliveira)
