
Não gosto da palavra casamento, não gosto da ideia de ter que me casar um dia, pelo menos não por agora, gosto da imagem de duas pessoas sentadas na varanda, velhinhas, olhando os netos no jardim, de poder deitar no peito do marido e faze-lo de travesseiro enquanto ele massageia as madeixas e conversa sobre um assunto qualquer ou como foi o dia no trabalho, só que predomina sobre mim a vontade do silêncio numa casa grande, onde posso ouvir música alta, ou ler um livro em paz, onde posso comer a hora que quizer, e não ficar preocupada com alguém que esteja festejando no bar com os amigos até de madrugada, gosto de ter uma cama enorme inteira pra mim, e prefiro que passe alguém por ali algumas vezes, até que em fim, eu me canse e decida que precisa dividir alguém, mas por enquuanto meu ciume é maior que tudo, meu ciume das minhas coisas particulares, dos meus eus escondidos, e do dia em que eu vou morar sozinha e deixar de compartilhar pedaços de mim. Desejo um abraço forte durante a tarde, mas se precisar durante a noite, chorar sem ter alguém perguntando o que houve, eu não sou a garota que sonha com um casamento, um vestido lindo e branco e uma aliança no dedo, eu estou mais para uma grande amiga da palavra independência. (CheiOliveira)
